PORTAL DO ALUNO / PROFESSOR

Pesquisa relata dificuldades na adoção de crianças maiores de 2 anos

Abandono por parte dos pais é o que motiva famílias a adotar crianças, revela estudo.

Decisões que envolvem vida, afeto, identidade e projetos futuros sempre foram cercadas de grandes conflitos e dilemas. E a adoção é um exemplo. No entanto, ainda há muitas discussões em torno deste ato bonito e necessário, porém, pouco praticado.

A fim de conhecer melhor o assunto, os alunos do 8º período de Serviço Social da Faculdade Novo Milênio, Danilo Venturotti, Adriana Furtunato e Vanessa Grecco, escolheram como tema de pesquisa de seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) estudar os fatores que contribuem para a adoção de crianças.

Segundo Danilo Venturotti, “o enfoque no assunto partiu da necessidade de enfatizar a importância do ato de adotar, tendo em vista o grande número de crianças abrigadas em lares de adoção”.

Como fonte da pesquisa, foram feitos estudos na Vara da Infância e Juventude de Cariacica-ES, onde é realizado a triagem e o cadastro das crianças. O grupo analisou 74 processos de adoções realizadas de 2005 a 2006.

Motivação

Dos processos analisados, foram detalhadas no estudo as motivações de 15 casais de pais, que, mesmo já tendo filhos biológicos, adotaram crianças.

Desses casos, cerca de 40% dos casais adotam por motivo de abandono materno/paterno, 20% afetividade, 13% impossibilidade de gravidez, 13% falecimento dos pais biológicos e 13% devido a possibilidade de escolha por sexo.

Também foi levantado o perfil dos pais adotantes, sendo que 66,6% possuem ensino fundamental incompleto, 33,3% tem renda de até 2 salários mínimos e 87% revelaram que preferem adotar crianças com idade inferior a 2 anos.

Identificou-se também que a faixa etária de maior adoção (33,3%) está entre os 40 e 49 anos, “momento da vida em que os adotantes já têm uma família constituída e estão estabilizados financeiramente”, diz Adriana Furtado.

Velhas demais

Embora o número de adoções venha aumentando no Espírito Santo, verificou-se também grandes filas de espera para adoção, causadas por demora nas questões burocráticas dos processos e por adotantes criteriosos. “A espera é longa em alguns casos e às vezes muitas crianças ficam tempo demais esperando pela adoção, algumas crescem e tornam-se adolescentes tendo suas chances reduzidas para ter uma família”, salienta Danilo Venturotti.

De acordo com Vanessa Grecco, “dentre todos os motivos que podem contribuir para o atraso no processo de adoção verificamos o excesso de critérios por parte dos adotantes, determinando o sexo, recém-nascido, de cor branca e olhos claros, isso, na maioria das vezes, impede que meninos e meninas encontrem um lar”.

Outro ponto analisado foi que a adoção sempre atendeu aos interesses dos adultos e da sociedade em geral, sem considerar o lado da criança.

“É preciso instituir uma nova cultura de adoção no Brasil que venha a contribui para superação de preconceitos. É importante um pensamento que preconize a busca de uma família para uma criança e não uma criança para uma família, se isto for posto em prática a realidade pode mudar”, argumenta Vanessa.

Ações para melhorar o processo de adoção

Para que os processos de adoção sejam agilizados, a coordenadora do curso de Serviço Social da Faculdade Novo Milênio e orientadora do TCC, Andressa Fogos, ressalta que algumas ações governamentais poderiam contribuir.

“O governo juntamente com outros parceiros precisa fomentar projetos de incentivo e acompanhamento à adoção no âmbito nacional, sobretudo tratando do assunto como um ato fraterno à questão social”, sugere Andressa.

Como experiência do trabalho realizado, Danilo Venturotti afirma que “é necessário promover a conscientização das famílias que pretendem adotar por meio de campanhas publicitárias e educacionais, quebrando certos paradigmas em torno da questão e contribuindo para o exercício da adoção”.